Higiene do Sono

Hoje nós temos uma verdadeira epidemia de transtornos ansiosos, e uma das consequências do excesso de ansiedade é a baixa qualidade do sono. Se você tem problemas para dormir, veja algumas dicas que podem te ajudar:

1- Mantenha um horário regular para dormir e acordar, mesmo nos finais de semana.

2- Use a cama somente para dormir: nada de ler, comer, usar o computador ou ver televisão (especialmente programas violentos).

3- O quarto deve ser confortável: arejado, escuro, silencioso e com temperatura agradável.

4- Escolha um colchão adequado.

5- Após as 17h, não tome café, chás estimulantes, refrigerantes à base de cola e não ingira chocolate.

6- O cigarro prejudica o sono.

7- O álcool também, apesar de, aparentemente, ser relaxante.

8- A prática regular de exercícios auxilia o sono. Porém, faça-os no máximo até 4h antes de dormir.

9- Não tente resolver problemas na hora de dormir. Pelo contrário: envolva-se em atividades agradáveis.

10- Evite refeições pesadas à noite.

11- Evite cochilar durante o dia.

12- Use medicamentos para dormir, apenas se tiver indicação e acompanhamento médico.

13- O sobrepeso colabora para a má qualidade do sono.

14- Se estiver demorando a pegar no sono, levante-se por algum tempo. Ficar “rolando” na cama pode retardar ainda mais seu adormecimento.

15- Ao se deitar, mentalize coisas positivas. Cultive pensamentos leves.

Espero que essas dicas ajudem! Bons sonhos 🙂

Desejos de Ano Novo

Janeiro está quase terminando… Já deu tempo de esquecer as promessas de ano novo? então, é hora de relembrá-las! Emagrecer, parar de fumar, terminar aquele livro, ligar mais pros amigos, começar uma poupança. O que você prometeu?

É comum repetirmos a mesma promessa por vários anos, pois não conseguimos, ainda, cumpri-las. “Plano infalível” não há, mas será que existem formas de aumentarmos as chances de alcançarmos nossos objetivos? Reuni algumas estratégias, para nos ajudar. Vejamos:

– Coloque no papel. Quando escrevemos nossos planos, temos menos chances de esquecê-los e mais chances de realizá-los.
– Estabeleça metas atingíveis. Não adianta querer mudar da água pro vinho em uma semana. Estabeleça prazos, pra ir aumentando as marcas.
– Comprometa-se publicamente. Dá um medo danado, né? Fica aquela sensação de que, se não tivermos sucesso na promessa, ficaremos com a imagem de fracassados. Mas será mesmo? Na pior das hipóteses, você foi corajoso e tentou. Pesquisas mostram que quem se compromete publicamente tem mais chance de obter sucesso.
– Não desanime quando falhar. Ok, você economizou no primeiro mês, mas ficou no vermelho no segundo. Mudanças de hábito se dão através de altos e baicos. Permita-se um tempo de ajuste. Não considere isso um fracasso, mas parte do processo. Volte ao seu objetivo no terceiro mês.
– Conforme for obtendo sucesso nas suas realizações, marque isso em algum lugar visível. Dessa forma, você terá mais noção do quanto já avançou nos seus objetivos, e isso lhe dará mais motivação para continuar.
– Busque apoio. É importante poder contar com amigos e familiares, quando se quer alcançar novas metas.

Mas eu gostaria de dar um outro conselho.

Seja lá qual for o seu objetivo, peça por autocontrole. Se você tiver autocontrole, conseguirá:

– Não comprar tudo o que vê pela frente, e economizar.

– Ser comedido na alimentação, e emagrecer e/ou levar uma vida mais saudável.

– Não sucumbir à preguiça, e sair para se exercitar.

– Não falar mais do que deve, e fazer mais amigos.

– Não ficar vendo televisão até tarde, e acordar com menos mau humor.

– Controlar a vontade de comprar cigarros, e parar de fumar.

– Trocar a balada pelo estudo, e passar no vestibular ou ser aprovado no concurso.

Não consigo pensar em nenhum desejo que dependa diretamente de nós mesmos, e não esteja atrelado ao autocontrole. Nem sempre o autocontrole, sozinho, será suficiente, mas já facilitará bastante.

O alcance do autocontrole é fruto de treino. Exercite o seu, e verá como terá mais sucesso nas suas ambições!

Ética em Pesquisa – uma pincelada

Ser ético é importar-se com o outro. Ser ético em pesquisa é, portanto, colocar o bem-estar do outro acima dos próprios interesses, dos interesses científicos e até mesmo dos da sociedade.

Um pesquisador ético é aquele que, além de cumprir o dito acima, responsabiliza-se integralmente por sua pesquisa e por seus sujeitos. Ele domina o conteúdo e as técnicas de sua pesquisa, garante o seu correto andamento, e – no caso da pesquisa clínica – fala dela para seus pacientes/voluntários de forma clara, objetiva e transparente.

De acordo com as resoluções de 1996 e 1997 do Ministério da Saúde brasileiro, a pesquisa clínica (realizada com seres humanos) precisa preencher os seguintes critérios (entre outros):

– seus benefícios precisam ser maiores que seus riscos (para o paciente);

– o paciente tem o direito de receber o melhor tratamento comprovado disponível;

– pacientes e voluntários precisam assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, que precisa ser de fácil compreensão e não deve induzir à participação;

– pacientes menores de 18 anos e/ou incapazes de discernir a respeito de suas decisões precisam ter autorização por escrito de um responsável;

– a pesquisa deve alcançar o maior benefício possível, com o menor custo plausível, facilitando o acesso de todos ao tratamento;

– o reembolso de despesas do paciente/voluntário é permitido, desde que individualizado, de acordo com a realidade de cada participante, evitando o “pagamento” ser um atrativo;

– toda pesquisa precisa ser aprovada por um Comitê de Ética, bem como suas alterações posteriores; eventuais problemas devem ser a ele comunicados.

No que diz respeito à ética em experimentação animal, a legislação no Brasil ainda está engatinhando, mas já avançamos. Em 2008 foi sancionada uma lei regulamentando o uso de animais em pesquisa, e – em 2009 – um decreto foi disposto sobre o mesmo assunto.

Ser ético é ser responsável, comprometido e não ter dificuldade em responder por seus atos. É poder ser transparente. Além disso, é também reconhecer o trabalho dos outros, dando-lhes os devidos créditos, quando há colaboração. É preciso ser justo ao fazer pesquisa e garantir a equidade, ou seja, o acesso de todos às descobertas científicas, respeitando as diferenças e necessidades individuais.

Não é possível fazer pesquisa – seja ela clínica ou básica – sem ética. A ética garante a qualidade dos seus dados, a confiabilidade de suas conclusões e, principalmente a soberania da vida e de sua qualidade – independentemente da espécie em estudo. Em última análise, a ética lhe garante poder ter orgulho do que faz. E isso independe da sua área de atuação.

Leia mais:

http://jus.com.br/revista/texto/5781/a-resolucao-no-196-96-do-conselho-nacional-de-saude-e-o-principialismo-bioetico

http://www.mct.gov.br/upd_blob/0204/204754.pdf

http://www.mct.gov.br/upd_blob/0204/204755.pdf

Permita-se ser imperfeita (serve para homens também)

Esse texto circula pela internet, anunciado como sendo de autoria da Martha Medeiros. Acredito que não seja dela, pois não encontrei nenhuma menção, nesse sentido, relatada em meio de comunicação formal. Seja de quem for, é cheio de bons conselhos. Fica de reflexão pro fim-de-semana. E se alguém souber a real autoria, por favor, avise nos comentários. (os grifos são meus)

“Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra,  leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro, a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias…

Cinco dias!

Tempo para uma massagem..

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.  Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante”.

E essas tais “Dinâmicas de Grupo”?

Esse post tem um intuito bem informativo mesmo. Como o post anterior, ele foi feito há um tempinho já, em um antigo blog meu, e é fruto de muitas pessoas perguntarem o que são as dinâmicas de grupo, pra que servem e se são realmente úteis. Futuramente, pretendo fazer um texto mais específico sobre esse assunto. Hoje, vamos abordá-lo de uma maneira simples, pra quem não é profissional da área de RH, mas está sempre em contato com essa técnica, seja em processos seletivos ou em treinamentos corporativos.

Existem vários tipo de dinâmica de grupo, e cada um deles tem uma utilidade diferente e específica. Os principais são: Quebra-Gelo, Apresentação, Integração, Seleção, Treinamento, Feedback e Fechamento. Vejamos cada tipo separadamente.

A dinâmica de quebra-gelo serve para ajudar a tirar as tensões do grupo, desinibindo as pessoas para o encontro. É um recurso pra quebrar a seriedade e aproximar as pessoas. Essas dinâmicas podem ser brincadeiras, em que as pessoas sem movimentam e descontraem, como no caso do jogo de dardos. É comum esse tipo de dinâmica ter bolas, músicas, ser um momento mais leve mesmo.
 
A dinâmica de apresentação é aquele momento inicial, em que as pessoas se apresentam. As empresas têm preferido a apresentação individual em que cada candidato vai à frente do grupo e apenas fala da sua trajetória, mas existem dinâmicas de grupos específicas para esse momento, e elas costumam ser mais interessantes e menos constrangedoras. Afinal, quem não se sente nervoso, tendo que contar sua história de vida, diante de uma platéia desconhecida? Um exemplo de dinâmica de apresentação é aquela em que se divide o grupo em duplas, as duplas conversam e depois cada um apresenta o seu par. É um momento que, normalmente, também tem um clima descontraído e ajuda a integrar as pessoas. Sim, a psicóloga tem a maioria daquelas informações no seu currículo, mas ouvir da própria pessoa é diferente, concordam? Você pode explicar melhor algumas informações. E é interessante conhecer todas aquelas pessoas com quem vocês irão passar as próximas horas e com quem estão concorrendo, não acham?
 
A dinâmica de integração, como o próprio nome diz, tem o objetivo final de integrar as pessoas. Ela também permite observar o comportamento do indivíduo no grupo, mas tem como foco promover a descontração e promover a comunicação.
 
A dinâmica de seleção visa a identificar aspectos pessoais e profissionais dos candidatos. É muito utilizada como forma de avaliação, por permitir uma visão de todos os candidatos ao mesmo tempo, o que facilita a comparação entre eles. Além disso, a gente pode observar o funcionamento do sujeito na prática, enquanto ele trabalha. A transposição do comportamento de um indivíduo de uma atividade como essa para o dia-a-dia é completamente possível. Aqui entram as dinâmicas de construção de castelos, maquetes, projetos etc.
 
Há também a dinâmica de treinamento. Esse tipo de dinâmica trabalha conceitos em forma de jogos e brincadeiras, estimula a autoavaliação e a descontração e facilita o aprendizado. Muitos estudos já comprovaram que, quando você põe em prática o que aprende, tem maior chance de internalizar aquele conhecimento é. Portanto, o aprendizado através de dinâmicas de grupo garante maior fixação do conteúdo, mesmo que essa operacionalização tenha sido metafórica.
 
A dinâmica de feedback fornece informações sobre como a atuação do grupo ou da pessoa está afetando os outros. Ela ajuda o indivíduo ou o grupo a melhorar seu desempenho e, assim, alcançar seus objetivos. É um processo de exame em conjunto. Esse tipo não é muito comum em processos seletivos. É mais comum em treinamentos.
 
A dinâmica de fechamento vem encerrar as atividades do dia, sintetizando o conteúdo que foi abordado. Muitas vezes, confunde-se e/ou une-se à dinâmica de feedback. Também tem um clima descontraído, e também é mais comum em encontros para treinamento.
 
Acho que, assim, conseguimos clarear um pouco o objetivo de cada dinâmica, o que acham? Sobre que outros assuntos vocês gostariam de ler?

Alguns Erros em Processos Seletivos

Que não é fácil entrar no mercado de trabalho a gente sabe. Mesmo com uma boa formação, muitas vezes temos dificuldades em conseguir uma oportunidade. Até para quem já tem um emprego processos seletivos costumam ser cercados de dúvidas e angústias. Por isso, reuni aqui alguns itens que, em minha opinião, são erros que podem colocar tudo a perder na busca de uma vaga. Fique ligado e conquiste a sua!

 

  • Não ter um currículo adequado. Seu currículo tem a tarefa de despertar no selecionador o interesse em conhecê-lo. Um bom currículo é de fácil leitura, claro, conciso e não tem erros de português. Na dúvida, recorra ao dicionário, ao Google ou a um corretor ortográfico (no Word tem). Também é muito importante que ele contenha o objetivo do candidato. Se você tem mais de um objetivo, tenha currículos diferentes – um para cada tipo de vaga almejada.
  • Não saber nada sobre a empresa para a qual está se candidatando – antes da entrevista, pesquise sobre a companhia. A internet é uma grande aliada nesse processo. Descubra se você se identifica com aquele nome, qual é o posicionamento da empresa no mercado e no que você pode contribuir para o seu crescimento.
  • Não fazer perguntas, durante o processo seletivo. Perguntar é uma forma de demonstrar interesse pela empresa e pela vaga. Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que estão em uma entrevista apenas para responder o que lhes é perguntado. Questione acerca das atividades que o cargo em questão prevê, sobre seu posicionamento hierárquico e a equipe de trabalho. Isso demonstra sua disposição para ocupar o cargo e o ajuda a saber se é o que realmente está buscando.
  •  Postura inadequada – Por maior que seja o número de etapas em um processo seletivo, o contato que candidato e selecionador têm é pouco, e é esse o tempo que você tem para criar uma boa impressão a seu respeito. Evite o uso de gírias, excesso de informalidade, roupas muito casuais. Conhecer a cultura da empresa ajuda a prever quais são os comportamentos mais adequados, mas, na dúvida, opte pela formalidade.
  • Mentir – seja no currículo, seja na entrevista, mentir não é uma boa opção. O selecionador é preparado para reconhecer se você está sendo sincero e, mesmo que ele não perceba naquela hora, vai ser muito difícil você sustentar uma personagem durante toda a sua trajetória dentro da empresa. Não relate habilidades que não possui – especialmente no que diz respeito a conhecimentos técnicos, como idiomas. Se houver um teste, rapidamente você será descoberto.
  • Falar mal da empresa anterior – se você saiu insatisfeito do último emprego, evite mencionar o ocorrido. Caso o entrevistador pergunte, fale a verdade, mas sem agredir seu ex-chefe ou sua ex-empresa – e não se estenda no assunto.
  • Falar demais ou falar muito pouco – Ser prolixo é ruim, mas também não seja resumido demais. Dê ao entrevistador a quantidade de detalhes necessária para que ele tenha sua pergunta respondida e compreenda o contexto dos fatos. Em uma dinâmica de grupo, tome cuidado para não atropelar os concorrentes, mas, do mesmo modo, não se deixe atropelar por eles.

Espero que as dicas sejam úteis! 

Estabelecer-se profissionalmente: maturidade, comodismo ou sorte?

Escolher a profissão é um processo difícil para a maioria das pessoas, pois envolve não apenas a  própria vontade,  mas a de seus pais e familiares; não depende unicamente de seu gosto, mas de sua aptidão; não pode, infelizmente, basear-se numa visão romântica de realização pessoal, pois espera-se também que a profissão escolhida gere um retorno financeiro minimamente satisfatório. Isso sem falar em outros fatores, como, por exemplo, status, concorrência, tempo e custo do investimento educacional. A decisão profissional nunca é exclusivamente pessoal. Tantas coisas influenciam essa questão, que é praticamente uma conseqüência óbvia a grande quantidade de profissionais insatisfeitos com os diplomas que têm em mãos.
 
Não vou entrar no mérito da idade dos vestibulandos, questionando se é justo ter que escolher a profissão de toda uma vida numa idade tão precoce. Quero me ater ao depois. Você venceu a dúvida, fez sua opção, foi aprovado no vestibular, passou muitas noites em claro preparando seminários e conseguiu seu canudo. E agora? Não era bem isso que você queria, mas está feito. E aí? O quanto você está disposto a abrir mão de seu sonho dourado, pra investir em uma profissão que te dê maior retorno financeiro?
 
Podemos chamar de sortudo aquele cara que escolheu a profissão dos seus sonhos e é bem sucedido nela. Trabalha com prazer, não precisa negligenciar a vida pessoal, é reconhecido profissionalmente e é bem remunerado. Não vamos falar desse cara-exceção, pra não despertar a ira de 99,99% das pessoas.
 
Vamos falar daquele que precisa escolher entre prazer e dinheiro. Aquele que gostaria de viver de música, mas sabe que essa é a realidade de muito poucos. Aquele que dizia que ia ser médico desde criancinha, mas não foi aprovado no vestibular em nenhuma das 7 tentativas. Aquela que tem uma estilista dentro de si, mas não conseguiu convencer os pais a pagarem sua faculdade de Moda.
 
Será que aceitar que não podemos viver da profissão dos sonhos é ser acomodado? Ou seria uma questão de maturidade? Você está disposto a sacrificar seu ideal, em prol dos benefícios que uma profissão mais acessível e estável pode te proporcionar? Se sim, essa é uma decisão adulta, madura e realista, ou um conformismo de quem não acredita em si mesmo? E, mais importante, caso opte pelo sacrifício, como abraçar de fato essa decisão, e não se permitir, mais à frente, sentir-se não-realizado e frustrado?
 
Eu sou adepta do bom-senso, do realismo e do equilíbrio. Ninguém deve abrir mão de seus desejos antes de tentar. Tomo a liberdade de chamar a isso de covardia. Tente, pelo menos uma vez, transformar em realidade o seu sonho. Porém, gosto muito da frase que diz que pra tudo na vida é preciso saber a hora de parar. Há uma linha tênue entre ser determinado e ser intransigente, e você não quer arruinar sua vida por ser teimoso, quer?
 
Não quero dizer, com isso, que você deva desistir diante da primeira dificuldade. Lute pelos seus objetivos, corra atrás, insista. O que vou falar daqui pra frente é para aqueles que já viram que, no momento, é inviável dar continuidade ao seu sonho profissional.
 
Há formas saudáveis e positivas de se lidar com isso.
 
Você pode encarar a labuta diária como um preço necessário a pagar por todo o prazer que você tem nas outras áreas da vida. Dessa forma, você tem que priorizar bastante seu prazer no tempo que tem livre. Investir no seu prazer… Quer coisa melhor? Sair daquele dia infernal no escritório e passar a noite no ensaio da sua banda não seria uma maravilha?
 
Você pode fazer do seu trabalho atual um trampolim. Já dizia Maquiavel: Os fins justificam os meios. Esqueça a conotação ruim dessa famosa frase e transforme seu trabalho atual naquilo que te permitirá alcançar seu sonho. Trace um plano: 10 anos de serviços administrativos, em troca de uma boa poupança, de onde você tirará o dinheiro para investir naquela loja de geléias no interior.
 
Você pode encontrar o bom no ruim. Seu sonho envolvia defender a natureza, mas seu pai te obrigou a se tornar advogado? Por que não se especializar em Direito Ambiental? Fez Administração, mas gosta mesmo é de publicidade? Uma pós nessa área talvez resolva o seu problema. Nunca conseguiu fazer aquele curso de piloto de avião? Talvez ser funcionário de uma empresa aérea e ter a oportunidade de estar pertinho da sua paixão e em constantes viagens minimize um pouquinho a sua frustração.
 
Certamente há muitas outras soluções possíveis. O que importa, afinal, é encontrarmos nosso lugar no mundo, sentirmo-nos responsáveis por nossas próprias escolhas e ficarmos felizes com o resultado. O que diferencia as pessoas mais satisfeitas das pessoas menos satisfeitas não é ausência de conflitos, mas a sua postura diante deles.
 
Você está satisfeito com o rumo que deu à sua vida profissional? Foi um processo simples ou complicado? Compartilhe conosco!