Ansiedade não engorda, não.

Featured imageSim, eu sei. Você deve estar achando este título chocante, triste, arrasador. Mas… É a pura verdade!

Vira e mexe um paciente, esperançoso, me pergunta se ansiedade engorda. Acho curioso porque, em geral, as pessoas se referem à ansiedade como uma espécie de entidade. Elas perguntam “ansiedade engorda?”, como se o simples fato de se sentir ansioso fizesse o sujeito engordar. Em geral, isso vem atrelado à expectativa de que haja uma solução mágica para os quilos a mais.

Ansiedade é uma emoção. Emoções fazem você se sentir melhor ou pior, mas elas não fazem com que suas roupas fiquem apertadas. E o que eu vou dizer a seguir talvez te deixe bravo:

O que engorda é você comer mais do que precisa.

“Não, Paula, você está errada. Quando estou muito ansioso(a), eu engordo mesmo!”

Sim, eu acredito. Muitas pessoas engordam quando estão ansiosas. Mas isso acontece porque, quando está ansioso, você ingere mais calorias, exercita-se menos, ou – o que é muito provável – ingere mais calorias E se exercita menos.

Eu aposto que, quando está ansioso, você prefere comer alimentos muito gostosos e calóricos. Afinal, nunca ouvi ninguém dizer “Nossa, tive uma crise de ansiedade hoje; devorei três pés de alface!”.

A ansiedade está relacionada a um desequilíbrio de neurotransmissores (pequenas moléculas que contribuem para o funcionamento saudável dos neurônios). Um dos neurotransmissores mais associados à ansiedade é a serotonina – já ouviu falar no “hormônio da felicidade”? Bom, a nomenclatura não está muito correta, mas a ideia sim. A serotonina nos ajuda a ficar mais tranquilos e felizes. Logo, se eu me sentir ansiosa, vou procurar alguma fonte de serotonina, certo? Mesmo sem ter consciência disso, é assim que o seu corpo age. Ele pede desesperadamente por serotonina.

E sabe quais são os alimentos que mais contribuem para a produção de serotonina?

Isso mesmo, aqueles muito calóricos. É por isso que, durante a ansiedade, dá vontade de comer chocolate, tomar sorvete, ir à churrascaria

– Tá, entendi. Então, o que devo fazer?

Você deve procurar maneiras mais saudáveis de lidar com a sua ansiedade. Em lugar de descontá-la na comida, você pode:

  • Procurar o motivo de estar ansioso – e tentar resolver a questão;
  • Começar uma atividade relaxante, como Yoga ou meditação;
  • Intensificar os exercícios físicos (eles também são uma boa fonte de neurotransmissores);
  • Optar pelo chocolate amargo (em pouca quantidade);
  • Escolher alimentos que estão associados à serotonina, mas que são mais saudáveis (consulte um nutricionista).

Existem, ainda, outras formas de diminuir a ansiedade, sem “atacar” a geladeira. Você lembra de alguma que eu não citei? Conte pra gente nos comentários! Vamos ajudar mais pessoas a se sentirem bem consigo mesmas. 🙂

Update: Uma leitora perguntou se a ansiedade não pode lentificar o metabolismo. Sim, pode. Vou falar disso em outro post, mas vamos tentar não cair nessa outra armadilha: a do “metabolismo lento”. Ninguém engorda 15 ou 20Kg apenas por causa de metabolismo lento, minha gente!

Anúncios

“Mas eu não preciso de psicólogo!”

Featured imageJá perdi as contas de quantas vezes ouvi isso! Infelizmente, ainda existe o estigma de que psicólogo é “coisa de doido”, “coisa pra gente problemática”, ou mesmo “pra quem não tem o que fazer”. Por outro lado, também tenho ouvido bastante – de pessoas que não são meus colegas de profissão – que “todo mundo precisa de terapia”.

Mas será mesmo que todo mundo precisa de terapia?

Claro que essa é só a minha opinião, mas não – não acho que todo mundo precise de terapia. Acredito, sim, que a maioria das pessoas se beneficiaria de algum tipo de psicoterapia. Como?

Ao fazer terapia, a pessoa vai se conhecer melhor, vai aprender mais sobre relacionamentos e sobre a vida. No momento da sessão, ela estará dando atenção total a ela mesma (coisa difícil hoje em dia) e estará também recebendo atenção integral de alguém (algo mais difícil ainda, em tempos de smartphones). Ela poderá desabafar, ouvirá outro ponto de vista sobre suas questões… Enfim, os ganhos podem ser inúmeros. Acho que você concorda comigo sobre esses benefícios.

Mas precisar é diferente. Você precisa de terapia quando o andamento da sua vida estiver sendo prejudicado pela forma como você pensa ou se sente. Você pode estar tendo problemas no casamento, no trabalho, na conta bancária, na sua saúde, entre outros. Vou dar alguns exemplos, para ficar mais claro (existem muitos outros).

Se você:

– está insatisfeito(a) em alguma área da sua vida, há tempo suficiente para acreditar que não está conseguindo resolver isso sozinho(a);

– está tendo os mesmos problemas repetidamente, mesmo que em diferentes situações;

– está com dificuldade de se relacionar com pessoas;

– está vivenciando uma perda muito sofrida ;

– está se sentindo em um “beco sem saída”;

– tem alguma dúvida muito importante (casar ou não? ter filhos? mudar de emprego? que carreira escolher?)

– sente-se perdido(a);

– sente-se excessivamente triste ou ansioso(a) (mesmo sem uma aparente causa para esses sentimentos);

– não consegue perder ou ganhar peso;

– não consegue dormir bem ou está sempre cansado(a)

– está sofrendo algum tipo de abuso, físico ou verbal.

Temos que tomar muito cuidado para não acharmos que tudo é problema. Em Psicologia, a diferença entre a saúde e a doença é, muitas vezes, a quantidade. Ficar triste é normal. Ficar tão triste que não consigo trabalhar direito, me alimentar corretamente, ou sair de casa não é normal. Sentir ansiedade é normal. Sentir tanta ansiedade que “quase morro” de falta de ar, devoro tudo o que vejo pela frente ou fico dias sem dormir não é normal.

Em síntese, pergunte-se:

Isto está atrapalhando a minha vida de alguma maneira?

Seja sincero(a) com você. Se a resposta for “sim”, então recomendo que você procure um psicólogo!

Higiene do Sono

Hoje nós temos uma verdadeira epidemia de transtornos ansiosos, e uma das consequências do excesso de ansiedade é a baixa qualidade do sono. Se você tem problemas para dormir, veja algumas dicas que podem te ajudar:

1- Mantenha um horário regular para dormir e acordar, mesmo nos finais de semana.

2- Use a cama somente para dormir: nada de ler, comer, usar o computador ou ver televisão (especialmente programas violentos).

3- O quarto deve ser confortável: arejado, escuro, silencioso e com temperatura agradável.

4- Escolha um colchão adequado.

5- Após as 17h, não tome café, chás estimulantes, refrigerantes à base de cola e não ingira chocolate.

6- O cigarro prejudica o sono.

7- O álcool também, apesar de, aparentemente, ser relaxante.

8- A prática regular de exercícios auxilia o sono. Porém, faça-os no máximo até 4h antes de dormir.

9- Não tente resolver problemas na hora de dormir. Pelo contrário: envolva-se em atividades agradáveis.

10- Evite refeições pesadas à noite.

11- Evite cochilar durante o dia.

12- Use medicamentos para dormir, apenas se tiver indicação e acompanhamento médico.

13- O sobrepeso colabora para a má qualidade do sono.

14- Se estiver demorando a pegar no sono, levante-se por algum tempo. Ficar “rolando” na cama pode retardar ainda mais seu adormecimento.

15- Ao se deitar, mentalize coisas positivas. Cultive pensamentos leves.

Espero que essas dicas ajudem! Bons sonhos 🙂