Psicólogo x Psiquiatra x Psicanalista – parte 1

Featured imageMuitas pessoas tem essa dúvida. Psicólogo prescreve remédio? Psiquiatra faz terapia? Psicanalista é médico? Como saber em qual dos três devo ir?

Essa não é uma distinção muito fácil de se explicar. Vou tentar simplificar ao máximo, pra ficar tão didático quanto possível.

A Psicologia é um curso de graduação. A pessoa estuda na faculdade por 5 anos e obtém o título de psicólogo. Apenas o psicólogo pode aplicar testes psicológicos. Ele não pode prescrever remédios. A função primordial do psicólogo é tratar os problemas psicológicos/psiquiátricos através da psicoterapia. A psicoterapia é prioritariamente feita através da fala, e ela tem várias abordagens teóricas. Isso quer dizer que existem várias maneiras diferentes de se fazer Psicologia dentro do consultório. Pra ser eficiente, em geral, a psicoterapia acontece em sessões semanais de 50 minutos.

A Psiquiatria é uma especialidade da Medicina. Ou seja, o psiquiatra é um médico que fez uma especialização em Psiquiatria, depois de terminar a faculdade. Psiquiatras podem fazer psicoterapia, mas – por opção – normalmente não fazem. Eles também tratam os problemas psicológicos/psiquiátricos, mas o fazem através das medicações. As consultas com o psiquiatra costumam ser mensais, exceto no começo do tratamento, em que elas podem ser mais frequentes.

A Psicanálise é uma abordagem terapêutica, que também tem como objetivo tratar questões psicológicas/psiquiátricas, através da fala. Tanto o psicólogo como o psiquiatra podem escolher ser psicanalistas. Porém, para ser psicanalista, não é necessário ser psicólogo ou psiquiatra. É confuso, eu sei. Vou explicar mais. Para ser psicanalista, o profissional pode ser formado em qualquer curso superior (não é obrigatório ser da área da saúde), mas precisa passar por uma longa formação e ser membro de uma associação de Psicanálise. Então, seu psicanalista só pode te prescrever remédios, se ele for médico.

Hoje, no Brasil, a Psicanálise não é regulamentada como profissão independente porque, sob critérios jurídicos, ela é considerada uma especialidade da Psicologia, e por isso requer curso superior nessa área. Isso não era o que Freud queria, e tampouco a “independência” da Psicanálise é um demérito à profissão – desde que a formação na área seja feita de forma responsável e criteriosa. De qualquer forma, devido a essa especificidade, é importante que você escolha esse profissional de forma muito cuidadosa, dando preferência às indicações de pessoas em quem você confie, ou procurando uma das associações/sociedades de Psicanálise. O formato da Psicanálise também costuma ser de sessões semanais de 50 minutos.

No próximo post, explicarei o que você deve levar em consideração, para escolher que tipo de profissional procurar.

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Como escolher meu psicólogo?

Featured imageDepois que publiquei o último texto, muitas pessoas vieram até mim com a mesma fala: “Puxa, eu deveria ter feito esse tipo de terapia!”. Foram pessoas que já fizeram alguma terapia antes, mas que – por algum motivo – não se identificaram com a abordagem. E terapia é assim mesmo: você precisa se identificar com o psicólogo, com a linha que ele segue, precisa se sentir bem no seu consultório e ter confiança no profissional.

Muitas vezes, você recebe uma ótima indicação, mas não simpatiza com a pessoa. Ou escuta maravilhas de uma abordagem terapêutica, mas com você ela simplesmente não funciona. Por que isso acontece? Porque nós somos diferentes. Em muitos aspectos da vida, mas principalmente em Psicologia, nós precisamos considerar a particularidade de cada um. É por isso que o seu amigo não pode nem pensar em ir ao mesmo consultório por meses a fio, enquanto que a sua amiga frequenta a psicanalista dela há anos e não a troca por nada. Da mesma forma, um paciente pode ter calafrios só de pensar em ser submetido a testes psicológicos, enquanto que outro pode adorar essa forma objetiva de encarar seus problemas.

“E como eu sei qual serve pra mim?”

Testando.

Vá em um, veja se gosta. Pergunte, pergunte, pergunte. Vá em outro. Pergunte, pergunte, pergunte.

Aposto que a maioria de vocês nunca perguntou ao seu psicólogo qual é a linha teórica que ele segue. Pergunte! Na primeira sessão, pergunte qual é o método de trabalho, o que você pode esperar do tratamento, qual é a proposta dele. Nenhum psicólogo sério irá te dar um prazo para finalizar o seu tratamento porque, como eu disse antes, precisamos considerar a particularidade de cada um. Cada caso é um caso, e levará o tempo necessário para ele. Porém, ele poderá te dizer de que forma vocês trabalharão juntos. Você saberá o que esperar, em lugar de ir para a terapia, esperando que um dia uma mágica aconteça, como é o caso de muitas pessoas. Além disso, saber de que maneira ele trabalha te ajuda a identificar se aquilo combina com você.

Se não der certo com o primeiro psicólogo em que você for, não pense que não dará certo com nenhum. São muitos os fatores que interferem no processo terapêutico e, por serem fatores subjetivos, é muito difícil controlá-los. Você apenas precisa encontrar o profissional certo pra você. Como eu sigo a linha da Terapia Cognitivo-Comportamental, é dela que falo mais nos meus textos, mas isso não significa que não haja outras opções. A Psicologia é muito ampla, procure o que te deixa à vontade. De novo: pergunte!

E lembre-se:

A terapia é um trabalho árduo, que depende diretamente do paciente. Não espere que algum psicólogo simplesmente resolva os seus problemas – o que nós fazemos é guiar o paciente, auxiliá-lo nas próprias descobertas. Permita-se tentar. A Psicologia tem muito a oferecer, provavelmente você vai se surpreender.

No próximo texto, responderei à pergunta: “Todo mundo precisa de terapia?”. Aguarde!

Estabelecer-se profissionalmente: maturidade, comodismo ou sorte?

Escolher a profissão é um processo difícil para a maioria das pessoas, pois envolve não apenas a  própria vontade,  mas a de seus pais e familiares; não depende unicamente de seu gosto, mas de sua aptidão; não pode, infelizmente, basear-se numa visão romântica de realização pessoal, pois espera-se também que a profissão escolhida gere um retorno financeiro minimamente satisfatório. Isso sem falar em outros fatores, como, por exemplo, status, concorrência, tempo e custo do investimento educacional. A decisão profissional nunca é exclusivamente pessoal. Tantas coisas influenciam essa questão, que é praticamente uma conseqüência óbvia a grande quantidade de profissionais insatisfeitos com os diplomas que têm em mãos.
 
Não vou entrar no mérito da idade dos vestibulandos, questionando se é justo ter que escolher a profissão de toda uma vida numa idade tão precoce. Quero me ater ao depois. Você venceu a dúvida, fez sua opção, foi aprovado no vestibular, passou muitas noites em claro preparando seminários e conseguiu seu canudo. E agora? Não era bem isso que você queria, mas está feito. E aí? O quanto você está disposto a abrir mão de seu sonho dourado, pra investir em uma profissão que te dê maior retorno financeiro?
 
Podemos chamar de sortudo aquele cara que escolheu a profissão dos seus sonhos e é bem sucedido nela. Trabalha com prazer, não precisa negligenciar a vida pessoal, é reconhecido profissionalmente e é bem remunerado. Não vamos falar desse cara-exceção, pra não despertar a ira de 99,99% das pessoas.
 
Vamos falar daquele que precisa escolher entre prazer e dinheiro. Aquele que gostaria de viver de música, mas sabe que essa é a realidade de muito poucos. Aquele que dizia que ia ser médico desde criancinha, mas não foi aprovado no vestibular em nenhuma das 7 tentativas. Aquela que tem uma estilista dentro de si, mas não conseguiu convencer os pais a pagarem sua faculdade de Moda.
 
Será que aceitar que não podemos viver da profissão dos sonhos é ser acomodado? Ou seria uma questão de maturidade? Você está disposto a sacrificar seu ideal, em prol dos benefícios que uma profissão mais acessível e estável pode te proporcionar? Se sim, essa é uma decisão adulta, madura e realista, ou um conformismo de quem não acredita em si mesmo? E, mais importante, caso opte pelo sacrifício, como abraçar de fato essa decisão, e não se permitir, mais à frente, sentir-se não-realizado e frustrado?
 
Eu sou adepta do bom-senso, do realismo e do equilíbrio. Ninguém deve abrir mão de seus desejos antes de tentar. Tomo a liberdade de chamar a isso de covardia. Tente, pelo menos uma vez, transformar em realidade o seu sonho. Porém, gosto muito da frase que diz que pra tudo na vida é preciso saber a hora de parar. Há uma linha tênue entre ser determinado e ser intransigente, e você não quer arruinar sua vida por ser teimoso, quer?
 
Não quero dizer, com isso, que você deva desistir diante da primeira dificuldade. Lute pelos seus objetivos, corra atrás, insista. O que vou falar daqui pra frente é para aqueles que já viram que, no momento, é inviável dar continuidade ao seu sonho profissional.
 
Há formas saudáveis e positivas de se lidar com isso.
 
Você pode encarar a labuta diária como um preço necessário a pagar por todo o prazer que você tem nas outras áreas da vida. Dessa forma, você tem que priorizar bastante seu prazer no tempo que tem livre. Investir no seu prazer… Quer coisa melhor? Sair daquele dia infernal no escritório e passar a noite no ensaio da sua banda não seria uma maravilha?
 
Você pode fazer do seu trabalho atual um trampolim. Já dizia Maquiavel: Os fins justificam os meios. Esqueça a conotação ruim dessa famosa frase e transforme seu trabalho atual naquilo que te permitirá alcançar seu sonho. Trace um plano: 10 anos de serviços administrativos, em troca de uma boa poupança, de onde você tirará o dinheiro para investir naquela loja de geléias no interior.
 
Você pode encontrar o bom no ruim. Seu sonho envolvia defender a natureza, mas seu pai te obrigou a se tornar advogado? Por que não se especializar em Direito Ambiental? Fez Administração, mas gosta mesmo é de publicidade? Uma pós nessa área talvez resolva o seu problema. Nunca conseguiu fazer aquele curso de piloto de avião? Talvez ser funcionário de uma empresa aérea e ter a oportunidade de estar pertinho da sua paixão e em constantes viagens minimize um pouquinho a sua frustração.
 
Certamente há muitas outras soluções possíveis. O que importa, afinal, é encontrarmos nosso lugar no mundo, sentirmo-nos responsáveis por nossas próprias escolhas e ficarmos felizes com o resultado. O que diferencia as pessoas mais satisfeitas das pessoas menos satisfeitas não é ausência de conflitos, mas a sua postura diante deles.
 
Você está satisfeito com o rumo que deu à sua vida profissional? Foi um processo simples ou complicado? Compartilhe conosco!

Você sabe o que quer?

Quantas vezes você teve que experimentar jiló pra saber que era amargo? De quantas colheradas do brigadeiro da vovó você precisou, até decidir que era o doce mais perfeito do mundo?

Ok, eu sei. Muitos vão dizer que não são bons exemplos, afinal são quase unanimidades. Porém, a questão aqui é outra: Quantas vezes você precisa experimentar algo para decidir se te apetece ou não? Uma, duas, três? Ou nenhuma, se você for daqueles que dizem que não gostam, mesmo sem nunca nem terem provado?

Prove: quem costuma dizer que não gosta sem nunca ter comido é criança. Mas tenha limites. Também é a criança que precisa brincar com todas as bonecas da loja até decidir qual levar pra casa. Familiarize-se com as suas escolhas e seja consequente: é igualmente infantil decidir, de repente, que biscoito de morango é horrível, mesmo que sempre tenha sido o seu preferido. E experimente variações. Será que jiló, se empanado, fica mais tragável? Talvez. Há que se ser flexível nas opiniões. Há que se pensar nas inúmeras possibilidades e combinações.

O problema de se ater às inúmeras possibilidades é que algumas pessoas tem grande resistência em abrir mão. Quando você opta por algo, automaticamente está desistindo de uma outra coisa. É maduro aceitar isso. É honesto com você mesmo, e pensar sob essa perspectiva te auxilia a descobrir o que é realmente importante.

Conheça-se. Saiba o que quer. E não tenha medo de errar. Não há uma só decisão nessa vida que não possa ser revista posteriormente (a não ser – é claro – a morte, tão citada nesses casos). Não perca tempo com o que não te interessa, com a desculpa de que pode se arrepender depois. Se não gosta de jiló, se ele não faz diferença na sua vida, vai se exaurir com diferentes receitas amargas pra quê? E por que você ficaria fazendo experiências suspeitas com o coitado do brigadeiro, se gosta dele do jeito que o conhece?

Em geral, a decisão assusta. Muitas pessoas não sabem lidar com esse poder, pois estão acostumadas à acomodação e ao medo, a pensar mil quinhentas e dezenove vezes antes de fazer uma curva. E que, depois que fazem, pensam mais seiscentas e oitenta vezes se essa era mesmo a melhor opção. Ora, ora. Se você virou, é porque vislumbrou ali um caminho melhor. E, se lá na frente descobrir que virar foi um erro, pegue o primeiro retorno. Não ande por um caminho imaginando como seria o outro. Ou se arrependendo. Essa é a responsabilidade que você assume pela sua escolha. Assuma riscos. Permita-se errar. E não se culpe por isso.

É isso que significa “saber o que se quer”. Saber o que se quer não é saber que se quer alguma coisa e ponto final. Saber o que se quer significa saber escolher. Significa saber perder seu tempo com coisas e pessoas que te interessam. Significa ter consciência de que pode dar errado, mas vale a pena arriscar. E lembre-se: A próxima década é construída a partir das escolhas que fazemos hoje. Agora. Portanto, não fique deixando pra depois a decisão do que fazer com a sua vida.